Que cavalos encontrei – Caminho de Santiago

Andaluz

Não escondo de ninguém que muitas vezes já escolhi um destino, uma viagem, pela possibilidade de cavalgar em uma raça específica de cavalo. Foi assim na Índia (Rajastão), com o cavalo Marwari. Sim, o Rajastão também me fascinava, mas estava lá pelo cavalo!!

No caso de Santiago de Compostela, escolhi a viagem e o Caminho pelo significado dele, da energia envolvida e pelo desafio de cavalgar 600 quilômetros. O máximo que havia feito foi em torno de 400.

Mas… que tipo de cavalos encontrei no Caminho de Santiago de Compostela?

De pronto, eu te respondo – Valentes cavalos!!

Dia após dia deslocavam-se através de uma trilha sem escolha – Fazíamos o Caminho Oficial, marcado com as famosas setas. Pela frente, campos, montanhas, subidas, descidas, pedras, rodovias, ruas e cidades. Não hesitavam, não fraquejavam, seguiam!

cavalos santiago de compostela

Que raça?

Quando li a programação e especificação da viagem, estava lá, no item raça de cavalo utilizada: cruzados de Andaluz. Cruzado com que? Foi a pergunta que veio a minha cabeça de imediato.

Na tropa utilizada para essa viagem, o cruzamento predominante foi com o Árabe, que já faz parte da composição da raça espanhola. A justificativa para esse “reforço” de sangue árabe foi o aumento de resistência, fortalecimento de membros, articulações e cascos tão necessários em terrenos tão diversos do Caminho.

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No meio do meu Caminho – Dama

Ao chegar em Logroño, Espanha, início da minha viagem a cavalo pelo Caminho Francês de Santiago de Compostela, fui imediatamente levada a um haras nas proximidades para conhecer o meu cavalo. No caso, a minha égua.

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No meio de tantos “Andaluzes” fogosos estava a minha doce e valente “galega” Dama. Uma cruzada de andaluz com Appaloosa.

Á primeira vista, quando fui informada que ela seria a minha montaria pelo Caminho, falei para mim mesma – Me dei mal. Era aparentemente pesadona e com cara de lerda, e trotona. Estava gorda!

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Foto: Rodrigo Cunha

Olhei para mim mesma, e me reconheci em tudo isso! Abaixo os preconceitos! : 😆 

Não recuso desafios e nunca pedi para trocar cavalos em minhas viagens por aí, e olha que já tive alguns bem difíceis.

Que bom que não pedi outra montaria! Cai de amores e paixão pela Dama!

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Não haveria, não viveria, não experimentaria o Caminho como foi, sem a minha querida e valente Dama!

Mais de 500 km só com ela!

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Ainda no Brasil, perguntei com quantos cavalos eu iria fazer os 600 km do Caminho de Santiago de Compostela. Afinal, não eram poucos quilômetros! Responderam que seria com dois em sistema de revezamento. Já na Espanha, ao encontrar pela primeira vez com o operador local e os cavalos, fiz a mesma pergunta, e a resposta foi a seguinte – Com um, é claro, quantos cavalos você acha que eu teria que ter se todo mundo que fosse fazer o Caminho quisesse mais de um cavalo. Ok!! Disse a ele que se ele fazia assim é porque provavelmente confiava no treinamento dos seus cavalos e nos cuidados com eles pela trilha.

E lá fomos nós, eu e Dama, pelo Caminho de Santiago de Compostela!

Dama foi a protagonista de muitas fotos que tirei pelo Caminho. Primeiro que ela é linda – grande, forte, peluda e loira – Segundo, ao mesmo tempo que é tudo isso, é ágil, dócil, sensível e valente. Pode ser tudo isso junto? Pode!

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Também queria registrar por imagem o quanto ela não mudou tanto em relação a sua composição corporal. Mantinha-se bastante bem em termos nutricionais, mesmo fazendo em média 30 quilômetros por dia. Isso mudou a partir dos 450 quilômetros percorridos, quando as condições de alimentação (pasto, ração e pouso) foram drasticamente modificadas, e com queda na qualidade. Vi a Dama começar a sentir cansaço e o peso de tão longa caminhada. E chegou o momento que tive que exigir que ela parasse antes da chegada a Santiago de Compostela, pela sua própria preservação. Por três dias cavalguei um outro animal, entrei em Santiago de Compostela com ele, mas sem deixar de estar com a Dama em meu coração. Ela se manteve em descanso fazendo reposição nutricional, e tanto eu quanto ela nos sentíamos muito felizes a cada reencontro ao final do dia, nesses três dias que não cavalgamos pelo Caminho.

Com um olhar me despedi de Dama ao final dessa viagem. Desejo que ela encontre no caminho dela pessoas que reconheçam o quanto ela é especial e a trate bem tanto quanto ela merece!

Vida longa a DAMA!

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Cavalo Andaluz – Veja mais sobre ele!

O Cavalo andaluz é oficialmente conhecido como Puro Sangue Espanhol (PRE), e tem origem na Andaluzia. Descende diretamente do cavalo ibérico (Sorraia (Tarpã), Berberes e Árabes). Está entre as raças mais antigas do mundo, e é provavelmente o mais antigo cavalo de sela. Pinturas rupestres comprovam esse fato.

Conhecido como Cavalo Colonizador no período colonial, entrou na formação de muitas das principais raças atuais de cavalo nas Américas e na Europa, como o Puro-Sangue Inglês, o Cavalo Campolina, o Hanoveriano, o Holsteiner, o Lipizzan, o Alter-Real, Bretão, Frisão, Criolo, Paso Fino, Peruano, Mustang, Lusitano, o Quarto de Milha entre outras raças.

Muitos exemplares desses cavalos eram utilizados em diversas cortes na Europa com grande prestígio.Esta raça de cavalos também foi muito utilizada pela monarquia francesa e inglesa. Muitos monarcas foram retratados com seus cavalos andaluzes.Por ter acompanhado estes personagens de sangue azul, ele é considerado um cavalo real.

 

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Sobre o Autor

Jacira Omena
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Viajante e Escritora - Escreveu o Livro - Viajar a Cavalo:Um Guia Passo a Passo. "Viajo pelo mundo a cavalo sempre a procura de algo novo e surpreendente, e com grande frequência sou bem-sucedida nessa busca!

*O conteúdo dessa matéria é de inteira responsabilidade do seu autor, não tendo a Viajar a Cavalo qualquer responsabilidade sobre o teor dessas informações.

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Santiago de Compostela – Bruna e Rodrigo Cunha – Alegria Peregrina

Bruna é quem responde as minhas perguntas sobre a viagem a cavalo que acabamos de fazer para Santiago de Compostela. Mas, consigo ouvir o Rodrigo dizendo de imediato “Tô dentro!”.
Os muitos Hahahahahahahaha que pontuam as suas respostas foram os mesmos que ouvi tantas vezes ao meu lado em uma simples conversa, em frente ao meu cavalo na trilha, e em tantas conversas com todos os outros amigos que estavam a peregrinar pelo Caminho.
Viajar a cavalo tem dessas coisas, nunca é apenas uma viagem, na maioria das vezes fazemos amigos para a vida a fora em meio a risadas e relaxantes musculares!

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